Tudo (enfadonho) em todo o lado ao mesmo tempo
Vi este filme já há um par de meses, mais coisa menos coisa. Ou melhor desisti a menos de meio. A experiência teve a genuinidade de um blind test de quem pegou no filme sem o mínimo condicionamento de saber do hype crescente em seu redor. Vi e achei uma comédia sem muita graça à parte de uma ou outra bizarria na construção narrativa das realidades paralelas que eram originais o suficiente para esboçar um sorriso - coisas como os dedos de salsichas ou os comportamentos inusitados como catalizadores dos saltos entre dimensões - mas aquém de me fazer rir. E por isso desisti e nem pensei muito nisso. Pronto, era apenas uma mashup de comédia, ficção científica, artes marciais "hong kong style" e vago tom de drama familiar sem convencer em nenum dos campos. Com tanto filme manhoso na sua originalidade nem seria um "Top mau" mas definitivamente não era bom sequer para acabar de ver. Se o tivesse que o colocar numa prateleira aliás, iria para as xaropadas do Jackie Chan para passar no Canal 1 num qualquer Domingo à tarde.
Fiquei por isso chocado ao ver choverem nomeações e o choque aumentou quando o filme saiu consagrado nos Óscares.
Mas como gosto sempre de colocar a hipótese do erro ser meu decidi ver o filme todo. Foi ontem. E fui realmente com vontade de gostar para me poder sentir um gajo que sabe apreciar cinema como os tipos da Academia. Quis pensar que não tinha dado hipóteses a um filme que seria genial a partir do segundo acto. Só que não. Foi um exercício enfadonho, absolutamente enfadonho em que as bizarrias de ficção científica não tinham graça suficiente e a densidade humana do drama familiar não tinha comoção suficiente. Suponho que se tenha salvo a Jamie Lee Curtis com o único Oscar que não me apetece pedir que seja devolvido.
Este ano vi dois filmes fabulosos e ambos estavam na corrida. A Baleia é fabuloso. Os Espíritos de Insherin é uma obra de arte. E por isso resta-me a esperança de que esta seja apenas uma dimensão paralela do metaverso em que não temos enchidos por dedos mas os Óscares têm critérios não menos bizarros. Algures por aí no Universo há um mundo ideal em que sou eu o Presidente da Academia e os Óscares fazem sentido.
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