A Geração com filtro

Mas a impressão que nos ficou foi que genericamente os ditos imigrantes digitais sabem conversar com pessoas e fazem-no. Deve ser porque nasceram e cresceram antes do Facebook e se viram forçados a ter mesmo que aprender a conversar. Com pessoas de carne e osso! Sem ser por emojis e acrónimos.


Fomos para a Baixa entrevistar turistas para um trabalho de PG. Pediam-se dois minutos para uma conversa informal sobre a satisfação - ou não - com Lisboa.

No fim trouxemos uma impressão forte de uma linha que divide os so called millenials dos mais velhos.

Os mais velhos são heterogéneos. Desde o casal Australiano boa vibe que ficou horrorizado com o histerismo da americana descompensada - já lá chegaremos - passando pelo jornalista finlandês que primeiro temeu que fosse ser assaltado -go figure -  e que depois ficou meia hora à conversa connosco trocando as voltas à entrevista e querendo saber tudo sobre Lisboa e Portugal. Sim, também tivemos as respostas rudes e impacientes de quem não queria ser entrevistado nem tampouco ser gentil na forma de dar-nos essa nota. 

Mas a impressão que nos ficou foi que genericamente os ditos imigrantes digitais sabem conversar com pessoas e fazem-no. Deve ser porque nasceram e cresceram antes do Facebook e se viram forçados a ter mesmo que aprender a conversar. Com pessoas de carne e osso! Sem ser por emojis e acrónimos.

Não conseguimos conversar com um só millenial. Um só! Nem um só nos cedeu os nossos dois minutos. Nem um só foi gentil ao ponto de simplesmente  sorrir e dar uma desculpa qualquer delicada. Tivemos as duas loiras que entre duas daquelas selfies ridículas de duckface encontraram o tempo para um "No!" e, claro tivemos a americana que nos interpelou enquanto entrevistávamos os australianos simpáticos. "Se podíamos ir ter aquela conversa para outro lado? Ela sentada na outra ponta daquele banco de pedra no Rossio queria relaxar, queria estar em paz!" A conversa nem era com ela mas fazer o quê? Estava-se a sentir incomodada!

E lá viemos nós com as semiconclusões que pouco importam do nosso inquérito e com essa conclusão inusitada de que os millenials estão enleados num narcisismo bacoco e numa perda de skills sociais reais. 

A Francisca ironizava que se repetíssemos o inquérito mais tarde depois dos copos se começarem a entornar no Bairro Alto a coisa  fiaria mais fino.

Provavelmente.

Mas se precisamos de beber uns canecos para sermos empáticos então somos feios, não importa quantos filtros de Instagram metamos em cima.

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