Saldos (e outros embustes do marketing)

O Marketing é a ciência que estuda a melhor forma de vender coisas inúteis por um preço absurdo a totós. Para vender coisas úteis ao preço justo não era preciso marketing. Ponto.

Isto tudo porque a Eva me arrastou de novo para as compras. E isso leva-nos à advertência número um desta crónica que se quer de serviço público: se puderem esquivar ir com as respetivas aos saldos, façam-no. Se como para mim essa não for uma opção então desenvolvam estratégias que ajudem a que o tempo passe. O tempo nos saldos é uma coisa relativa que tem várias dimensões: nós sonhamos com alguns minutos e elas prometem sem comprometer tempo exato que é só uma voltinha. Depois na realidade serão três penosas horas que a nós nos pareceu uma eternidade mas que elas contestarão que tenha chegado sequer a ser uma meia hora. Porque não é só a Foreva que faz saldos. O tempo emocional das mulheres nas compras tem desconto de caixa. E por isso se tiverem que ir, ajudem-se a vocês mesmos. Sugiram que elas dêem um giro sozinhas enquanto vocês vão também ver algumas montras. E pimbas, fogem para a FNAC. Na FNAC está comprovado que o tempo corre mais rápido para os homens.Mas não há milagres, nem a FNAC ocupa três horas. É preciso mais entretenhas.  Tomar café! Escrevam uma crónica no vosso blog. É certo, escrito no telemóvel demora mais mas vocês têm tempo. Resolvam alguns emails de trabalho já que pegaram no telemóvel e ponham telefonemas para amigos e família em dia. Por fim vão vocês próprios aos saldos a ver se há algum sobretudo giro. Quando passarem duas horas e meia o telefone vai tocar. Elas querem opinião para algumas indecisões: este vestido em vermelho ou o mesmo só que em rosa velho? Este básico ou aquele? Aqui não há fuga, a última meia hora de compras vão ter que a viver em tempo psicológico de saldos, atrás delas, de corredor em corredor da Primark, a dar opiniões que no fim não vão ser seguidas. Mas já falta pouco!

Questão número 2: Preços!

Toda a gente sabe que as marcas manipulam os preços para criar a impressão de grandes descontos. Bem feito! Totós que não têm a perceção do valor real das coisas merecem ser enganados! Hoje passei na Burberrys e estavam lá uns sobretudos - lá está, eu ia a seguir o meu plano de gestão de tempo - com um desconto espetacular de 60%: agora o casaquito já só custava 700 €! Ora a grande questão que uma pessoa sensata se fará aqui acho que nem é se aquilo está realmente em saldo. Dou isso de barato. A grande questão é que é preciso ser muito totó para dar tanto dinheiro por um sobretudo igual aos que na maior parte das lojas ali no Freeport custam um sexto do preço. Deus ma livre! E por isso quando confrontados com um desconto fantástico e irresistível em vez de cairmos na ratoeira da oportunidade imperdível devemos sempre fazer três questõezinhas metódicas: tenho dinheiro para isto? preciso disto? isto vale o preço? Se tivermos dúvidas, adie-se. Seja como for depois dos saldos vem o Black Friday e depois do Black Friday vem outra merda qualquer. Não há pressa!

Questão número três, vitrinismo!

Eu acho o vitrinismo o maior embuste de todos os tempos. As coisas ficam apetecíveis com aquele ar imaculado, a estrear, em mise en scene de montra. No nosso corpo, em nossa casa tudo perde em brilho e ganha em decadência mesmo acabado de comprar. Por exemplo, a dado momento percebi que tinha vontade de trocar de carro quando o meu andava mais porcalhoto mas que depois de o mandar limpar recuperava o orgulho no velho Mazda. Ora puxar o brilho a chapa velha é muito mais barato do que comprar chapa nova. E depois é a encenação das coisas. Vejam o IKEA. Aquilo no show room é tudo lindo porque tudo joga perfeitamente com tudo mas depois trazemos para casa e o pendant com o resto dos nossos móveis fruta cores não se dá com tanta pujança mesmo que na verdade seja tudo contraplacado do IKEA. Dica: limpar o pó e dar uma geral de faxina vai atenuar a inefável necessidade de gastar uma nota numa decoração nova. Depois acrescentem aqueles toques maricons de decor como uma plantinha de interior e um livro sobre cavalos aberto em jeito negligé em cima do aparador. Vão ver...

Last but not the least, o embuste dos fatos de homem!

Escrevam: ninguém tem o físico elegante para que os fatos nos caiam como aos manequins de montra das marcas mais fashion. Porque das duas uma, ou são aqueles gajos lingrinhas que na verdade as miúdas franzem o sobrolho que aquilo é ossudo demais ou então lá vão os tipos com mais chicha comprar aquelas coisas a pensar que são sensuais e depois parecem muito mais uns chouricinhos andantes do que os James Bonds da sua auto imagem fantasiosa. Até porque, tivéssemos nós o corpinho para a coisa, ainda assim, o cenário não se ia dar...        ... a não ser, claro, que andássemos com o alfinete de dama a arrepanhar o casaco nas costas, comó manequim...

Senhores lojistas, tenham vergonha, pá!







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