Conversas em código (da estrada)

Ouvi chamar "Oh, faz favor, faz favor". Era para mim. Duas miúdas risudas estacionadas dentro de um smart. - "Sabe-nos dizer se há problema em estacionar aqui?" - Aquele não era o meu bairro para responder de caras e de experiência adquirida mas podia fazer o óbvio de olhar para a sinalética em redor...

"Bom, em princípio, sim. Mas não sei o que diz o sinal." - apontei para a sinalização a uns vinte metros dali, naturalmente a virar-nos a parte de trás. A miúda devolve-me um olhar estranho como se a resposta a surpreendesse. Fiquei quase encavacado. Teria dito algo insensato? Explorei as possibilidades...          "Dah, sim, que posso ir ver o sinal sei eu, oh génio, estava só a perguntar se me poupavas a viagem pela tua experiência de pisteiro indígena mas já vi que não serves para nada que não pérolas lapalicianas...." - Seria isto? Ela balbucia um agradecimento e eu continuo. Vou seja como for na direção do sinal e agora até eu estou curioso para ver o que diz. 

Afinal é só um sinal de ultrapassagem proibida. Mas uns metros mais à frente há outro. Vejamos...         ... confirma, zona de parque, as miúdas estão bem estacionadas. Entretanto a loira risuda já vem na minha direção. Aceno-lhe que está tudo bem "Pode estacionar!" - Mas a moça agora está inquieta e vem até mim num riso tímido:

-Tem a certeza?" - Tenho. "É como vê, zona de parqueamento" - Aponto para o sinal. 
- Sim, e aquele sinal? - aponta para a proibição de ultrapassagem.
- Que tem?
- Quer dizer o quê? - encavaca-se, ri-se, encolhe-se.
- Então, proibido ultrapassar...

A outra desmancha-se numa gargalhada.

- Opá, é que tirei a carta há dois meses, já me esqueci de quase tudo!

Espero que o seguro dela não esteja numa seguradora que eu cá sei...


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