Resoluções

Um dos clichés do momento é o das resoluções. Raramente as cumprimos, é certo. Eu por acaso cometi a improbabilidade estatística de cumprir a minha principal resolução de 2017: perder peso. Perdi 27 quilos em seis meses. Mas esse processo dá por si só uma outra crónica e a ideia abstrata do peso dá uma série de crónicas. Não vai ser hoje. Hoje vamos falar de resoluções de Ano-Novo. As deste ano, para 2018.

Tomamos resoluções porque estes elans de início de cíclico simbólico nos proporcionam o tique de balanços e os fogos fátuos de nos decidirmos a mudar coisas. Porquê? Porque em todos nós há margem de infelicidades e incompleições. A questão não é a de um "se" é a de um "quão": quão insatisfeitos nos sentimos?

Claro que é bem provável que as nossas resoluções naufraguem pelo mesmo motivo que nos emboscou nas nossas insatisfações atuais: nós próprios, os nossos vícios, medos, letargias.

Há pouco fui passear pela beira mar. Meditava sobre tudo isto e ocorreu-me perscrutar o semblante dos que passavam a tentar segmentar os gloriosos cumpridores das promessas de 2017. Mas, ah, a experiência estava viciada. A verdade é que num passeio à beira mar dos que gozam férias todos me parecem sempre felizes e completos. Apetece por isso navegar o silogismo e sugerir que a primeiríssima resolução de 2018 seja: "tirar férias e procurar o mar".

Mas tomemos resoluções, por pateta que seja e por efémeras que sejam as vontades. É bem verdade que as mudanças mais gloriosas das nossas vidas se dão na ação, não na resolução. Mas também é verdade que só estaremos completamente derrotados quando já nem ao trabalho aspiracional de pensar que somos capazes nos dermos.

E por isso cá vão as minhas decisões para 2018 na provável audácia patética de passos maiores do que a perna...


1 - Perder uns quilos! Não é nada de trágico e a vantagem de nos portarmos bem é depois derrapar de novo que essa coisa de nunca mais voltar ao vício é para os alcoólicos, não para os gulosos. Mas está na hora de fechar a boca...

2 - Experimentar coisas novas. Mais que não seja pratos na ementa que nunca pedimos porque pedimos sempre o mesmo.

3 - Cozinhar mais.

4 - Fazer o raio da pós graduação sem noitadas desesperadas a estudar de véspera. Já sou idoso demais para esses fandangos.

5 - Ler umas quantas páginas todos os dias. Livros técnicos não contam.

6- Passear mais os cães. Espero que a Eva não leia esta porque, sim, vai-me ser cobrada com piadolas lacónicas...

7 - Estar mais com os meus amigos. Tem sido uma vergonha.

8 - Pegar na guitarra e no violoncelo. E no cavaquinho! Vá, no cavaquinho, não. Que se lixe o cavaquinho!

9 - Escrever.

10 - Dormir

11- Amar

12 - Sonhar

Bom 2018, pessoal!

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